NOTAS DE ESTUDO

Do Estudo do Manifesto do Partido Comunista

Do Estudo do Manifesto do Partido Comunista

A intensa preparação teórica e ideológica dos militantes e simpatizantes do Partido é uma tarefa urgente, que traça uma clara linha de demarcação entre a esquerda revolucionária proletária e a direita pequeno-burguesa liquidacionista que dominou nas últimas décadas o comité central do PCTP/MRPP.

O que caracterizou a direcção bicéfala reaccionária de Conceição Franco e Garcia Pereira é que eles não só nunca estudaram os grandes teóricos e ideólogos do movimento comunista operário – Marx, Engels, Lenine, Mao-Tsétung – como tudo fizeram para estupidificarem a inteligência e a cultura revolucionárias dos militantes e simpatizantes do Partido, impedindo por todos os meio ao seu alcance que os ensinamentos dos grandes mestres e dirigentes do movimento revolucionário chegassem às operárias e aos operários portugueses.

O nosso Partido esteve assim dominado por uma pseudo-intelectualidade pequeno-burguesa de pacotilha, que impedia o desenvolvimento político, teórico e ideológico da classe operária e da revolução.

Não é suficiente afastar essa canalha do comité central; mais importante e decisivo é lançar um amplo movimento de estudo entre os homens e mulheres que estão nas nossas fileiras, são amigos do Partido e firmes e dedicados servidores do proletariado.

O actual movimento de estudo começou com a leitura e discussão colectivas do Manifesto do Partido Comunista, de Carlos Marx e Frederico Engels, que também serviu para lançar a nova editora do Partido, a Editora Bandeira Vermelha.

Em consequência da dominação da linha liquidacionista encabeçada por Conceição Franco e Garcia Pereira, o Partido perdeu completamente os bons hábitos do notável e original sistema de estudo que sempre caracterizaram essa tarefa revolucionária desde a fundação do MRPP nos anos oitenta do século passado.

Há, pois, que regressar ao sistema e aos hábitos de estudo dessa fase da vida do Partido, agora que o estudo da teoria e da ideologia revolucionárias do marxismo-leninismo regressou para ficar.

O estudo, na medida do possível, deve ser colectivo, no âmbito das células e comités do Partido, a todos os níveis e escalões.

Os secretários ou secretárias das células e comités, além de estudarem individualmente, para prepararem o estudo colectivo das obras nas respectivas células e organismos, devem também estudar em conjunto, para em conjunto superarem as suas dificuldades de aprendizagem. O Manifesto do Partido Comunista é uma obra riquíssima de ensinamentos, extraídos da luta do movimento proletário durante a primeira grande Revolução Industrial, que exige uma aprendizagem em conjunto dos militantes a todos os níveis.

Os comunistas têm de ler o livro, mas são contra o culto do livro. Estudam a experiência colhida nos livros, como o Manifesto, e estudam-na em ligação directa com a sua própria experiência de militantes comunistas. O estudo deve estar sempre ligado à prática da luta de classes.

Por outro lado, é preciso fazer da tarefa do estudo um grande movimento de massas nas nossas fileiras e entre os operários nas fábricas, nas empresas, nos bairros, nas aldeias, em toda a parte.

O actual comité central do Partido deve também estudar colectivamente e colectivamente discutir o Manifesto do Partido Comunista e a sua aplicação ao movimento comunista proletário em Portugal e no mundo.

O comité central deve fortalecer, com o estudo e com a prática da luta de classes, a capacidade teórica e ideológica dos seus membros, de modo a que nunca mais se deixem manipular por papagaios como o Garcia Pereira e por burocratas como o Conceição Franco.

O estudo do Manifesto do Partido Comunista já começou há pouco mais de um mês, mas está ainda muito longe de se ter constituído num verdadeiro movimento revolucionário de massas, susceptível de dotar o Partido dos quadros militantes profissionais que precisa para levar a bom porto as tarefas da refundação do nosso partido comunista operário.

Há distritos onde o movimento de estudo ainda nem sequer começou, e conheço alguns quadros dirigentes que ainda não abriram o Manifesto para ler e aprender com o que está lá dentro escrito. Esses camaradas vão por muito mau caminho. Nunca se esqueçam: os liquidacionistas tomaram conta de vós, porque vós não vos dispusestes a estudar a linha política, teórica e ideológica do Partido e a correr com eles, como era vosso dever.

E tenham sempre presente: sem teoria revolucionária, não há movimento revolucionário. Os operários não aceitarão nunca dirigentes ignorantes nem papagaios da palração.

Lancemos um forte movimento de estudo de massas no Partido e fora do Partido!

Quando saírem de casa, tragam sempre o Manifesto convosco, à vista de todos, e não temam abri-lo e estudá-lo no comboio, no barco, no autocarro ou na carruagem do metropolitano.

05.02.2016

Arnaldo Matos       

              

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