NOTAS DE ESTUDO

Notas de Estudo I

Manifesto do Partido Comunista

Notas de Estudo

I

Porque é que uma obra tão importante para a formação teórica e prática do proletariado, como é o Manifesto do Partido Comunista de Marx e Engels, só foi traduzida em língua portuguesa e publicada em Portugal em 1975, cento e vinte e sete anos depois da sua primeira edição, em Londres, na língua alemã?

__ * __

São vários os motivos que explicam a inusitada demora – 127 anos! – na publicação do Manifesto do Partido Comunista, de Marx e Engelsem Portugal e na língua portuguesa.

Por um lado, o atraso no desenvolvimento da indústria capitalista moderna e, consequentemente, o atraso no desenvolvimento do proletariado em Portugal, em meados do século XIX. Em 1848, não havia no nosso país um proletariado industrial moderno, susceptível de interessar-se pela leitura do Manifesto e, designadamente, de conhecer o papel histórico que lhe estava reservado na luta de classes e na eliminação da sociedade de classes.

O Tratado de Methuen, também conhecido como o Tratado dos Panos e dos Vinhos, celebrado entre a Inglaterra e Portugal, no dia 17 de Dezembro de 1703, impediu o desenvolvimento industrial do nosso país durante quase todo o século XVIII: nos termos desse tratado, os portugueses comprometiam-se a consumir têxteis britânicos e os ingleses a importar vinhos de Portugal.

Além da Ribeira das Naus (Arsenal da Marinha), não houve nenhuma indústria moderna em Portugal até ao consulado do Marquês de Pombal, quando se criou a indústria dos vidros, na Marinha Grande, e a indústria da loiça, no Largo do Rato, em Lisboa.

Só na segunda metade do século XIX, com a chegada da máquina a vapor e do comboio, começa a surgir a nossa indústria moderna, com um proletariado moderno também. Antes da geração de 70, com Antero de Quental e seus companheiros das Conferências do Casino, a classe operária portuguesa também não beneficiou da existência de representantes esclarecidos da classe dominante, interessados em levar ao conhecimento dos nossos proletários as descobertas científicas que, em 1848, Marx e Engls puseram ao seu alcance.

O programa e os estatutos da Associação Internacional dos Trabalhadores, mais tardios do que a edição do Manifesto, chegaram, todavia, a Portugal.

Aparentemente, não há nada que justifique a não publicação do Manifesto do Partido Comunista na época da Primeira República, entre 1910 e 1926, a não ser a circunstância de o movimento operário português desse tempo sofrer um forte domínio anarquista, que poderá ter afastado a edição da obra de Marx e de Engels (Marx e Engels).

O chamado Partido Comunista Português, fundado em 1921 e só ilegalizado em 1933, teve doze anos para proceder à publicação legal do Manifesto, mas nunca o fez. E poderia tê-lo editado em língua portuguesa nos quarenta e um anos que se escoaram entre 1933 e 1974, mas também nunca o fez.

Vê-se que, para o partido revisionista cunhalista, o Manifesto não era obra que fizesse falta aos operários portugueses.... Caberia ao MRPP, através da sua editora Vento de Leste e na colecção Clássicos do Povo, publicar, pela primeira vez em Portugal e na língua portuguesa, em Maio de 1975, a obra imortal de Marx e Engels, o Manifesto do Partido Comunista.

Para colaborar no amplo movimento de estudo que foi posto em marcha com a terceira edição do Manifesto, agora nas Edições Bandeira Vermelha, a redacção do Luta Popular responderá às perguntas que os leitores quiserem formular-lhe sobre o conteúdo do Manifesto do Partido Comunista. Apelamos ao estudo consciencioso e dedicado daquela que é uma das mais importantes obras teóricas emancipadoras do movimento operário! 

18.01.2016

Luta Popular

Luta Popular on line

Aceda ao Luta Popular e fique
a par das últimas noticias:

Biblioteca Vermelha

Um redobrado empenho no estudo do marxismo, dos textos em que se condensa a experiência histórica das revoluções passadas e também daqueles em que se perspectivam novos combates pelo socialismo e pelo comunismo, constitui hoje um dever indeclinável de todos os revolucionários.

Entrar na Biblioteca Vermelha

 

Ribeiro Santos

A morte de Ribeiro Santos (durante uma reunião de estudantes contra a repressão fascista de Caetano, realizada em 12 de Outubro de 1972 na Faculdade de Ciências Económicas e Financeiras de Lisboa) constituiu um marco decisivo e de viragem no movimento popular e revolucionário contra a ditadura e a guerra colonial-imperialista que viria a atingir o seu auge em 1974.