NOTAS DE ESTUDO

Notas de Estudo II

Manifesto do Partido Comunista

Notas de Estudo

II

Pode-se perguntar qual é a ideia central do Manifesto do Partido Comunista, de Marx e Engels?

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Sim, pode perguntar-se, faz todo o sentido e dá-se até o caso de a própria resposta já ter sido formulada duas vezes por Frederico Engels: a primeira, no prefácio à edição alemã de 1883, ano da morte de Carlos Marx, e a segunda, no prefácio à edição inglesa de 1888, duas passagens comoventes que atestam simultaneamente a originalidade criativa de Marx e a honradez do carácter de Engels, seu companheiro de escrita e de lutas.

No prefácio à edição alemã, Engels respondeu assim à pergunta do leitor:

“A ideia fundamental e directriz do Manifesto, a saber: a produção económica e a estrutura social que dela necessariamente resulta constituem, em cada época histórica, a base da história política e intelectual dessa época; que, por conseguinte, (desde a dissolução do regime primitivo da propriedade comum da terra) toda a história tem sido uma história de lutas de classes, de lutas entre classes exploradas e classes exploradoras, entre classes dominadas e classes dominantes, nas diferentes fases do seu desenvolvimento social; e que actualmente essa luta atingiu uma etapa em que a classe explorada e oprimida (o proletariado) não pode já libertar-se da classe que a explora e oprime, sem libertar, ao mesmo tempo e para sempre, toda a sociedade da exploração, da opressão e das lutas de classes – esta ideia mestra pertence única e exclusivamente a Marx.*Já o declarei muitas vezes, mas é necessário, precisamente agora, que esta declaração figure também à cabeça do Manifesto.”


No prefácio à edição inglesa de 1888, Engels formulou a resposta desta maneira:

“Embora o Manifesto seja uma nossa produção conjunta, considero-me obrigado a assinalar que a tese fundamental constitutiva do seu núcleo pertence a Marx. Essa tese afirma que, em qualquer época histórica, o modo predominante de produção económica e de troca e a estrutura social que dele necessariamente deriva formam a base sobre a qual se levanta, e é a única que explica a história política e intelectual dessa época; que, consequentemente, toda a história da humanidade (depois da dissolução da sociedade gentílica primitiva com a sua propriedade comunal da terra) tem sido uma história de lutas de classes, de lutas entre classes exploradoras e exploradas, entre classes dominantes e classes dominadas; que a história dessa luta de classes atingiu na actualidade, no seu desenvolvimento, uma etapa em que a classe explorada e oprimida – o proletariado – não pode já emancipar-se do jugo da classe que a explora e oprime – a burguesia – sem emancipar ao mesmo tempo e para sempre a sociedade inteira de toda a exploração, opressão, divisão de classes e luta de classes.

Esta ideia, destinada, segundo creio, a marcar para a ciência histórica o mesmo progresso que a teoria de Darwin para a Biologia, ambos nos havíamos aproximado dela, pouco a pouco, vários anos antes de 1845. Até que ponto eu avancei independentemente nessa direcção, pode ver-se claramente no meu livro A Situação da Classe trabalhadora em Inglaterra*. Quando, na Primavera de 1845, me voltei a encontrar com Marx em Bruxelas, ele já havia elaborado esta tese e expôs-ma em termos quase tão claros como eu o fiz aqui.”

                               22.01.2016

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