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O MRPP, o PS e a Câmara de Lisboa

Numa carta endereçada ontem às direcções centrais do PCP e do Bloco e hoje tornado público, António José Seguro desafia aqueles dois partidos para integrarem, com o PS, uma frente comum de esquerda para concorrer às próximas eleições autárquicas, tendo sobretudo em vista o município de Lisboa.

Numa carta endereçada ontem às direcções centrais do PCP e do Bloco e hoje tornado público, António José Seguro desafia aqueles dois partidos para integrarem, com o PS, uma frente comum de esquerda para concorrer às próximas eleições autárquicas, tendo sobretudo em vista o município de Lisboa.

Note-se que a proposta de Seguro não visa nenhuma aliança para derrubar o governo de traição nacional Coelho/Portas, pois tal derrubamento não faz parte dos planos de Seguro, mas apenas uma frente autárquica, porquanto, para Seguro, uma frente governativa está desde já reservada à escondida aliança em perspectiva do PS com o PSD, no famigerado Bloco Central.

Mas a questão que, como candidata à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, quero pôr imediata e frontalmente a Seguro é esta: que legitimidade tem Você para excluir de uma frente unitária autárquica em Lisboa outras forças de esquerda, como é obviamente o caso do PCTP/MRPP?

Você, Seguro, deveria lembrar-se que o próprio António Costa, hoje seu rival interno, perdeu as eleições de 1993, em Loures, precisamente porque recusou a unidade com a candidatura local do meu Partido, chorando depois baba e ranho pelas esquinas daquele concelho, quando pôde verificar que os votos do PCTP/MRPP chegavam e sobravam para a câmara de Loures.

E, já agora, deveria também lembrar-se que não há ainda muito tempo, João Soares perdeu a presidência de Lisboa para o Santana Lopes por ter recusado admitir o meu Partido na frente unitária com que se candidatou à Câmara de Lisboa, também chorando depois baba e ranho, quando verificou que os votos do PCTP/MRPP eram mais do que suficientes para lhe arrecadarem a presidência.

Você, Seguro, vai outra vez perder a Câmara de Lisboa, à uma, porque não quer extrair as devidas lições da História e, à outra, porque aquilo que verdadeiramente Você quer é estender ao comprido o seu estimado rival António Costa…

E quanto a este mesmo António Costa, terá que vir explicar depressa aos lisboetas os motivos por que, recusando embora uma aliança de todas as forças de esquerda para conquistar a Câmara de Lisboa, Você, Seguro, se dedica desde já a permitir que sejam pilhados dos programas passados do MRPP políticas municipais que só nós temos defendido para um rápido e harmonioso desenvolvimento do município da Capital, a saber:

Municipalização das empresas de transportes públicos (Metro e Carris);
Criação da Região Especial de Lisboa (que Costa designa – envergonhado e mal! – “área metropolitana de Lisboa”);
Sistema integrado de transportes na área da Região Especial de Lisboa.

Claro está que não será por roubar ideias políticas ao meu partido que Costa haverá de ganhar as próximas eleições em Lisboa. Irá perdê-las seguramente, porque ele e o PS, juntamente com os seus camaradinhas do bloco central, têm estado, nestes últimos quarenta anos, a destruir Lisboa, com as suas propostas, e não será porque as nossas em alguma medida agradem a Costa que a sua candidatura triunfará.

O PCTP/MRPP e eu própria estamos dispostos a discutir com todas as forças democráticas e patrióticas um projecto de poder autárquico que resgate a cidade de Lisboa do sequestro a que os partidos do poder, incluindo o PS, a têm submetido. Porque, convenha Você, Seguro: se o MRPP não é um partido de esquerda, então o seu é que nunca o será.

Fico à espera de resposta breve, Vossa ou de António Costa, tanto faz!

 

Joana Miranda
Candidata à Presidência da CML

Lisboa, 12 de Março de 2013

 

Autárquicas 2009 - Programa Lisboa
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