Eleições

Manifesto - Eleições para a Assembleia Regional dos Açores

POR UMA ALTERNATIVA DE ESQUERDA
AOS PARTIDOS DA TRÓICA

CONTRA O DESEMPREGO E A POBREZA,
PELO PROGRESSO E BEM-ESTAR DO POVO

A VOZ DOS TRABALHADORES
NO PARLAMENTO REGIONAL

 Recusai acreditar no que não quereis
e crêde no que quereis, 
mas tanto vos custa acreditar.

 

I

CONTRA O GOVERNO DE TRAIÇÃO NACIONAL PSD/CDS!
POR UM GOVERNO DEMOCRÁTICO PATRIÓTICO!

A moeda foi sempre um instrumento de soberania ou de perda de soberania. Foi sempre objecto de aferição, de troca e de acção como foi de chantagem, de saque e de paralisia. A moeda tem sido instrumento central na cena política europeia. Foi com dinheiro que os sucessivos governos no nosso país foram, nos últimos trinta anos, levando por diante a grande eliminação dos operários e o cerco e a destruição massiva das nossas indústrias pesada e ligeira. Foi com dinheiro da "CEE" que os governos em Portugal foram acenando o paraíso aos camponeses e pescadores em troca do abandono da produção e de uma brutal reconversão que apenas provocou exclusão e miséria. Foi com dinheiro feito fácil que a propaganda burguesa doirou tanta burla e tanto crime.

O actual governo de traição nacional PSD/CDS quer agora que o povo português pague, e com juros, o dinheiro que ele e os seus antecessores licenciosamente distribuíram aos que, destruindo as condições de trabalho e de vida em Portugal, se arvoraram e arvoram abusivamente em únicos donos de tudo no nosso país. Um bodo à minoria dos cada vez mais ricos, à custa da crescente pobreza de quem trabalha. O governo Coelho/Portas tem diminuído a quantidade de moeda a circular em Portugal por cada "ajuda" monetária que publicita. E com cada nova "ajuda" aumenta a dívida que implora para a diminuir! Além de traidores e obstinados capatazes da, pela sua mão, ocupante tróica, revelam-se de uma ineficácia e estupidez sem limites.

Por isso reafirmamos bem alto: não pagamos uma dívida que não fizemos nem dela beneficiamos; não aceitamos a destruição da nossa força de trabalho nem a degradação das nossas condições de vida; é urgente a destituição do governo de traição nacional PSD/CDS e a formação de um governo democrático patriótico!


II

CONTRA A SUBSERVIÊNCIA DO PS, PSD E CDS REGIONAIS AOS PLANOS DA TRÓICA, DEFENDAMOS A AGRICULTURA COMO BASE DA ECONOMIA E A INDÚSTRIA COMO FACTOR DIRIGENTE!

O PS, o PSD e o CDS regionais ao aceitarem as determinações da tróica estão necessariamente a defender nova brutal reconversão agrícola com mais exclusão de agricultores, com mais empresas encerradas ou vendidas, com produção mais controlada do que nunca pelos interesses de quem ao dinheiro tudo sacrifica e pelo dinheiro tudo justifica.


O PS, o PSD e o CDS regionais ao aceitarem as determinações da tróica estão necessariamente a defender uma malha ainda mais apertada e dificultosa para a já quase inexistente e pouco autónoma indústria local e a garantir, traidoramente, mais poder e maiores benesses para os industriais e outros investidores vindos de fora a sangrar ainda mais os nossos recursos para o alguidar da usura internacional. Aceitar as determinações da tróica (Comunidade Europeia, Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional) é agravar as condições de vida nos Açores, já de si bem complicadas pela política grosseira e leviana que tem norteado a acção política regional.

Nós, do PCTP/MRPP, continuamos a recusar tal postura servil, tal postura de traição, tal postura de inépcia e liquidação. Continuamos a defender a agricultura como a base da nossa economia e a indústria como factor dirigente, garante da transformação e perenidade da extracção e produção primárias e alfobre e concretização de sonhos.

Não há que confiar nas promessas eleitorais dos partidos que se têm alternado na governação regional.

O PS/Açores diz que quer "Ganhar o Futuro" com "Emprego", "Saúde" e "Educação". No entanto tem sido pela sua acção governativa que o ensino se tem transformado numa fábrica de futilidade, desqualificação e conflitualidade. Tem sido também pela sua acção governativa que na Saúde se tem vindo a regredir quanto à abrangência dos actos médicos e medicamentosos e a gratuidade do serviço tem vindo a passar para serviços pagos por quem cada vez menos os pode pagar. Tem sido ainda pelas opções do PS que cada vez mais unidades produtivas regionais estão em situação precária ou na falência e que o desemprego vai de vento em popa, atingindo valores cada vez mais elevados.

Quanto ao PSD/Açores, afirma querer "Criar Oportunidades para Todas as Ilhas". O que não acrescenta é para quem quer criar essas oportunidades. Seguramente nem é para quem trabalha nem para quem quer trabalhar, mas sim para quem o PSD considera ser corpo e motor da economia, isto é, o dinheiro e os "investidores", os de fora, acima de tudo, e aqueles (cada vez menos) locais que se mostram capazes da agressividade e do crescimento concorrencial a que a economia burguesa obriga. O que não acrescentam é que, face à actual quase generalizada corda na garganta e descapitalização dos autóctones, os empresários que vêm de fora "investir" são para se fazerem pagar por empréstimos de burla e de
usura e ainda para sacar quanto possam da apropriação dos meios de produção e da compra da força de trabalho, tão barata e descartável quanto possível.

O povo e os trabalhadores açorianos não devem escolher entre PS e PSD, entre CDS, PCP ou BE, quer pela sempre de má memória responsabilidade governativa que quaisquer dessas organizações políticas tiveram isoladamente ou em coligações, quer pela sistemática manobra de desviar a luta política do povo e trabalhadores portugueses nas fábricas, no campo, nas escolas, nos hospitais e demais locais de trabalho e de vida, para os hemiciclos e corredores dos parlamentos e outras instituições do regime, concebidas exactamente para a perpetuação dos privilégios e para manutenção da (des)ordem produtiva que tanto mal-estar, revolta, desespero, fome e miséria criam.

Contra toda a sorte de desacreditações e intimidações, o PCTP/MRPP persiste na luta contra a fraude, contra a alienação, contra a exploração do homem pelo homem. Às fabricadas ilusões do "marketing" político contrapomos a desafiadora mas dura realidade política que vivemos. À desumanidade daqueles que teimam em ver na força de trabalho uma mera mercadoria opomos a importância do trabalho e a humanidade de quem trabalha. Contra toda a sorte de ilusões, continuamos a afirmar que os trabalhadores podem vencer a crise e que o farão contra os interesses de rapina da alta finança e do grande capital, na Região e no País.


III

POR UMA REGIÃO AUTÓNOMA CRIADORA DE RIQUEZA,
SEM DESEMPREGO E SEM EXPLORAÇÃO


 Tomar a agricultura como base da economia significa antes de mais salvaguardar a nossa tradição agrícola e pecuária e o saber daqueles que são sábios no trato com os animais, com as plantas, com o céu e com a terra. Tomar a agricultura como base da economia significa ainda distinguir e incentivar o conhecimento e a investigação científicos. Tomar a agricultura como base significa optar por condições de vida e não por condições de morte. Tomar a agricultura como base é defender sem equívocos a nossa satisfação e soberania alimentares.

Tomar a indústria como factor dirigente significa antes de mais compreender a importância da divisão do trabalho e da cooperação tanto na actividade produtiva como na formação das mentalidades. Significa normalizar e perenizar o que naturalmente é informe, efémero e diverso, por maneira a garantir a durabilidade e a funcionalidade necessárias
no nosso dia-a-dia. Significa permitir à agricultura e à pesca meios e segurança extractivos e produtivos. Significa progresso e bem estar.

As pescas e toda a actividade económica nas duzentas milhas marítimas devem estar sob controlo dos pescadores e demais intervenientes empresariais e científicos.

Devem ser garantidas regulares, fáceis e económicas ligações marítimas e aéreas durante todo o ano entre todas as ilhas, continente e Madeira.

A Rádio e Televisão Regionais devem estar ao serviço dos açorianos que na região e na diáspora trabalham, investigam e lutam por melhores condições de vida.

Os serviços de Saúde e a Educação devem ser gerais, de qualidade e gratuitos.

Deve haver menos desperdícios e maior autonomia energética regional.

Defendemos como fundamental a investigação científica e a experimentação e desenvolvimento tecnológico.

O Orçamento Regional deve privilegiar o trabalho e quem trabalha. Deve ser enunciado com simplicidade e rigor para que todos o percebam e possam pronunciar-se, melhorá-lo e usá-lo no satisfatório cumprimento de um Plano de Desenvolvimento Regional que elimine o desemprego e promova o bem-estar do povo.

Defendemos a nacionalização da banca, sob controlo dos trabalhadores, sem o que continuará a alienação de recursos, a especulação financeira e o roubo de quem trabalha. Defendemos ainda a nacionalização das fábricas de lacticínios que não tenham participação de produtores nem controlo operário, sem o que a chantagem e a sobre-exploração sobre os operários e sobre os produtores de leite não deixarão de se agravar até ao insuportável.

Defendemos a obrigatoriedade de se dar primazia à aquisição das produções locais pela unidades hoteleiras e restaurantes.

Para lutar por estas exigências e propostas, é importante que o povo açoriano tenha no parlamento regional representantes do PCTP/MRPP. Por isso nos candidatamos e apelamos à população trabalhadora e a todos os democratas que apoiem a nossa candidatura.


POR UMA VOZ DO PCTP/MRPP NO PARLAMENTO REGIONAL!
POR UM PLANO DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL QUE ELIMINE O DESEMPREGO E QUE PROMOVA O BEM-ESTAR DO POVO!
NÃO PAGAMOS UMA DÍVIDA PÚBLICA QUE NÃO FOI O POVO QUE CONTRAÍU NEM FOI CONTRAÍDA EM SEU BENEFÍCIO!
PELO DERRUBE DO GOVERNO DE TRAIÇÃO NACIONAL PSD/CDS!
POR UM GOVERNO DEMOCRÁTICO PATRIÓTICO!

VOTA NO PCTP/MRPP!

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A morte de Ribeiro Santos (durante uma reunião de estudantes contra a repressão fascista de Caetano, realizada em 12 de Outubro de 1972 na Faculdade de Ciências Económicas e Financeiras de Lisboa) constituiu um marco decisivo e de viragem no movimento popular e revolucionário contra a ditadura e a guerra colonial-imperialista que viria a atingir o seu auge em 1974.