Lenine - Que Fazer?

Que fazer? III-2- Política sindical e política social-democrata

e) A classe operária como combatente de vanguarda pela democracia

Vimos que a agitação política mais ampla e, por conseguinte, a organização de grandes campanhas de denúncia política constituem uma tarefa absolutamente necessária, a tarefa mais imperiosamente necessária à actividade, se esta actividade for verdadeiramente social-democrata. Mas, chegámos a esta conclusão partindo unicamente da necessidade mais premente da classe operária, a necessidade de conhecimentos políticos e de educação política. Ora, esta forma de colocar a questão, em si mesma,  é demasiado restrita, pois não tem em conta as tarefas democráticas de toda a social-democracia em geral, e da social-democracia russa actual em particular. Para esclarecer esta tese, da maneira mais concreta que é possível, tentaremos abordar a questão do ponto de vista mais "familiar" aos "economistas", do ponto de vista prático.  Todos estamos de acordo que é preciso desenvolver a consciência política da classe operária. A questão está em saber como fazê-lo e o que é preciso para isso. A luta económica "incita" os operários "a pensar" unicamente na atitude do governo em relação à classe operária, por isso, quaisquer que sejam os esforços que façamos para "conferir à própria luta económica um carácter político", jamais poderemos, dentro desse objectivo, desenvolver a consciência política dos operários (até ao nível da consciência política social-democrata), pois, os próprios limites desse objectivo são demasiado estreitos. A fórmula de Martynov é-nos preciosa, não como ilustração do talento confuso do seu autor, mas porque traduz de forma relevante o erro capital de todos os "economistas", a saber: a convicção de que se pode desenvolver a consciência política de classe dos operários, por assim dizer, a partir do interior da sua luta económica, isto é, partindo unicamente (ou, pelo menos, principalmente) dessa luta, baseando-se unicamente (ou, pelo menos, principalmente) nessa luta. Essa perspectiva é radicalmente falsa, justamente porque os "economistas", extenuados pela nossa polémica contra eles, não querem reflectir seriamente sobre a origem das nossas divergências, e sobre o que resultou disso: literalmente não nos compreendemos, e falamos línguas diferentes. A consciência política de classe não pode ser levada ao operário senão do exterior, isto é, do exterior da luta económica, do exterior da esfera das relações entre operários e patrões.  O único domínio de onde se poderá extrair esses conhecimentos é o das relações de todas as classes e categorias da população com o Estado e o governo, o domínio das relações de todas as classes entre si. Por isso, à questão: que fazer para levar aos operários conhecimentos políticos? - Não se pode simplesmente dar a resposta com a qual se contentam, na maioria dos casos, os práticos, sem falar daqueles de entre eles que se inclinam para o "economismo",  ou seja, não se pode simplesmente responder  "ir até aos operários".  Para levar aos operários os conhecimentos políticos, os sociais-democratas devem ir a todas as classes da população, devem enviar em todas as direcções os destacamentos do seu exército. Se escolhemos esta fórmula rude, se a nossa linguagem é cortante, deliberadamente simplificada, não é absolutamente pelo prazer de enunciar paradoxos, mas para "incitar" os "economistas" a pensar nas tarefas que desdenham de maneira tão imperdoável, na diferença existente entre a política sindical e a política social-democrata, que não querem compreender. Por isso, pedimos ao leitor para não se impacientar e seguir-nos atentamente até ao fim.

     Consideremos o tipo de círculo social-democrata mais difundido nestes últimos anos e vejamos a sua actividade. Tem "contactos com os operários" e atém-se a isso, editando "folhas volantes" onde condena os abusos nas fábricas, o partido que o governo toma em favor dos capitalistas e as violências da polícia. Nas reuniões com os operários, é sobre tais assuntos que se desenrola ordinariamente a conversa, sem quase sair disso; as conferências e debates sobre a história do movimento revolucionário, sobre a política interna e externa do nosso governo, sobre a evolução económica da Rússia e da Europa, sobre a situação destas ou daquelas classes na sociedade contemporânea etc., constituem excepções extremas, e ninguém pensa em estabelecer e desenvolver sistematicamente relações no seio das outras classes da sociedade. Para dizer a verdade, o ideal do militante, para os membros de tal círculo, aproxima-se na maioria dos casos muito mais ao de secretário de sindicato do que ao de dirigente político socialista. De facto, o secretário de um sindicato inglês, por exemplo, ajuda constantemente os operários a conduzir a luta económica, organiza revelações sobre a vida na fábrica, explica a injustiça das leis e disposições que entravam a liberdade de greve, a liberdade dos piquetes (para prevenir todos que há greve numa determinada fábrica); mostra qual o partido que tomam os juízes que pertencem às classes burguesas etc. etc. Numa palavra, todo o secretário de sindicato conduz e ajuda a conduzir a "luta económica contra os  

patrões e o governo". E não seria demais insistir que isto ainda não é "social-democrático"; que o social-democrata não deve ter por ideal o de secretário do sindicato, mas o de tribuno popular, que sabe reagir contra toda manifestação de arbitrariedade e de opressão, onde quer que se produza, qualquer que seja a classe ou camada social atingida, que sabe generalizar todos os factos para compor um quadro completo da violência policial e da exploração capitalista, que sabe aproveitar a menor ocasião para expor diante de todos as suas convicções socialistas e as suas reivindicações democratas, para explicar a todos e a cada um o alcance histórico da luta emancipadora do proletariado. Comparemos, por exemplo, os militantes como Robert Knight (o secretário e líder bem conhecido da "União dos Caldeireiros", um dos sindicatos mais poderosos da Inglaterra) e Wilhelm Liebknecht, e tentemos aplicar-lhes as teses opostas às quais Martynov reduz as suas divergências com o Iskra. Veremos - começo a folhear o artigo de Martynov - que R. Knight "conclamou" muito mais "as massas a determinadas acções concretas, e que W. Liebknecht se ocupou principalmente em "apresentar-se como revolucionário de todo o regime actual ou das suas manifestações parciais" (38-39); que R. Knight "formulou as reivindicações imediatas do proletariado e indicou os meios de atingi-las", e que W. Liebknecht, ocupando-se igualmente dessa tarefa, não se recusou a "dirigir ao mesmo tempo a acção das diferentes camadas e a oposição", a "ditar-lhes um programa de acção positiva"; que R. Knight se dedicou precisamente a "conferir, tanto quanto possível, à própria luta económica um carácter político",  e soube perfeitamente "colocar ao governo reivindicações concretas fazendo entrever resultados tangíveis", enquanto W. Liebknecht se ocupou muito mais de revelações "num sentido único"; que R. Knight deu muito mais importância "à marcha progressiva da obscura luta quotidiana", e W. Liebknecht à "propaganda de ideias brilhantes e acabadas"; que W. Liebknecht fez do jornal que dirigia exactamente "o órgão da oposição revolucionária que denuncia o nosso regime, e principalmente o regime político, aquele que vai de encontro aos interesses das diversas camadas da população", enquanto R. Knight "trabalhou pela causa operária em estreita ligação orgânica com a luta proletária" - se entendermos a "estreita ligação orgânica" no sentido do culto da espontaneidade que estudámos anteriormente a propósito de Kritchévski e de Martynov, - e "restringiu a esfera da sua influência" naturalmente persuadido, como Martynov, que "acentuava" essa influência através disso mesmo.  Numa palavra, veremos que, de facto, Martynov rebaixa a social-democracia ao nível do sindicalismo, certamente não por deixar de querer o bem da social-democracia mas, simplesmente, porque se apressou um pouco demais em aprofundar Plekhanov em lugar de se dar ao trabalho de compreendê-lo. Mas voltemos à nossa exposição.

     Como dissemos, se o social-democrata é adepto do desenvolvimento integral da consciência política do proletário não só em palavras, então deve "ir a todas as classes da população". A questão que se coloca é: como fazê-lo? Temos forças suficientes para isso? Existe um campo para tal trabalho em todas as outras classes? Isto não será ou não levará a um retrocesso do ponto de vista de classe? Vamos deter-nos nestas questões. Devemos "ir a todas as classes da população" como teóricos, como propagandistas, como agitadores e como organizadores. Ninguém duvida que o trabalho teórico dos sociais-democratas deva orientar-se para o estudo de todas as particularidades da situação social e política das diferentes classes. Mas, a esse respeito fazemos muito pouco, muito pouco em comparação com o estudo das particularidades da vida na fábrica. Nos comités e nos círculos, encontramos pessoas que se especializam até no estudo de um ramo da produção siderúrgica, mas não encontramos quase exemplos de membros de organizações que (obrigados, como ocorre frequentemente, a deixar a acção prática por alguma razão) se ocupem especialmente em colectar documentos sobre uma questão da actualidade na nossa vida social e política, podendo fornecer à social-democracia a ocasião de trabalhar nas outras categorias da população. Quando se fala da precária preparação da maioria dos dirigentes actuais do movimento operário, não é possível deixar de lembrar, igualmente, a fraca preparação nesse sentido, pois também ela é devida à compreensão "economista" da "estreita ligação orgânica com a luta proletária". Mas o principal, evidentemente, é a propaganda e a agitação em todas as camadas do povo. Para o social-democrata do Ocidente, essa tarefa é facilitada pelas reuniões e assembleias populares assistidas por todos aqueles que o desejam, pela existência de Parlamento, onde fala diante dos deputados de todas as classes. Não temos Parlamento, nem liberdade de reunião, mas, contudo, sabemos organizar reuniões com os operários que desejam ouvir um social-democrata. Pois não é social-democrata aquele que, na prática, esquece que os "comunistas apoiam todo o movimento revolucionário", que, por conseguinte, temos o dever de expor e de assinalar as tarefas democráticas gerais diante de todo o povo, sem dissimular, um instante sequer, as nossas convicções socialistas. Não é social-democrata aquele que, na prática, esquece que o seu dever é ser o primeiro a colocar, a despertar e a resolver toda e qualquer questão democrática de ordem geral. "Mas todos, sem excepção, estão de acordo com isso!", interromperá o leitor impaciente - e a nova instrução à redacção do Rabótcheie Dielo, adoptada no último congresso da União, declara claramente: "Devem ser utilizados para a propaganda e a agitação política todos os fenómenos e acontecimentos da vida social e política que afectem o proletariado, seja directamente como classe à parte, seja como vanguarda de todas as forças revolucionárias em luta pela liberdade " (Dois Congressos, p. 17, grifado por nós). De facto, estas são palavras notáveis e precisas, e dar-nos-íamos por inteiramente satisfeitos se o "Rabótcheie Dielo" as compreendesse e não colocasse, ao mesmo tempo, outras que as contradizem. Pois, não basta dizer-se "vanguarda", destacamento avançado, - é preciso proceder de forma a que todos os outros destacamentos se dêem conta e sejam obrigados a reconhecer que somos nós que marchamos à frente. Portanto, perguntamos ao leitor: os representantes dos outros "destacamentos" seriam, pois, imbecis a ponto de acreditar que somos "vanguarda" só porque o dizemos? Imaginem apenas este quadro concreto: um social-democrata apresenta-se no "destacamento" dos radicais russos ou dos constitucionalistas liberais, e diz: somos a vanguarda; "agora uma tarefa nos é colocada: como conferir, tanto quanto possível, à própria luta económica um carácter político". Um radical ou um constitucionalista, por pouco inteligente que seja (e há muitos homens inteligentes entre os radicais e os constitucionalistas russos), apenas sorrirá ao ouvir isso, e dirá (para si, bem entendido, pois na maioria dos casos é um diplomata experimentado): "essa vanguarda é muito ingénua"! Não compreende sequer que é tarefa nossa - a tarefa dos representantes avançados da democracia burguesa - conferir à própria luta económica um carácter político. Porque também nós, como todos os burgueses do Ocidente, desejamos integrar os operários à política, mas apenas à política sindical, e não à social-democrata. A política sindical da classe operária é precisamente a política burguesa da classe operária. E essa "vanguarda", formulando a sua tarefa, formula precisamente uma política sindical!  Embora repitam inúmeras vezes, tantas quantas lhes apetece,  que são sociais-democratas. Não sou uma criança para me importar com rótulos! Mas, que não se deixem levar por esses dogmáticos ortodoxos nocivos; que deixem "a liberdade de crítica" para aqueles que arrastam inconscientemente a social-democracia na esteira do sindicalismo! O ligeiro sorriso de ironia de nosso constitucionalista muda-se em gargalhada homérica, quando percebe que os sociais-democratas que falam de vanguarda da social-democracia, neste período de dominação quase completa da espontaneidade no nosso movimento, temem acima de tudo ver "minimizar o elemento espontâneo", ver "diminuir o papel da marcha progressiva dessa obscura luta quotidiana em relação à propaganda das brilhantes ideias acabadas" etc. etc.! O destacamento "avançado" que teme ver a consciência ganhar à espontaneidade, que teme formular um "plano" ousado que force o reconhecimento geral, mesmo entre os que pensam diferentemente! Será que confundem, por acaso, a palavra vanguarda com a palavra retaguarda? Examinem com atenção o seguinte raciocínio de Martynov. Declara ele (40) que a táctica acusadora do Iskra é unilateral; que "qualquer que seja a espécie de desconfiança e de ódio que semearmos contra o governo, não alcançaremos o nosso objectivo enquanto não desenvolvermos uma energia social suficientemente activa para o seu derrube". Eis, diga-se entre parênteses, a preocupação - que já conhecemos - de intensificar a actividade das massas e de querer restringir a sua própria. Mas, agora não é esta a questão. Martynov fala aqui de energia revolucionária ("para o derrube"). Porém, a que conclusão chega? Como em tempos normais, as diferentes camadas sociais actuam inevitavelmente cada uma no seu lado, "é claro, por conseguinte, que nós, sociais-democratas, não podemos simultaneamente dirigir a actividade intensa das diversas camadas da oposição, não podemos ditar-lhes um programa de acção positiva, não podemos indicar-lhes os meios de lutar, dia após dia, pelos seus interesses... As camadas liberais ocupar-se-ão, elas próprias, dessa luta activa pelos seus interesses imediatos, o que as colocará face a face com nosso regime político" (41). Assim, portanto, após ter falado de energia revolucionária, de luta activa para o derrube da autocracia, Martynov desvia-se logo para a energia profissional, para a luta activa pelos interesses imediatos! Disso se conclui que não podemos dirigir a luta dos estudantes, dos liberais etc., pelos seus "interesses imediatos"; mas não era disso que se tratava, respeitável "economista"! Tratava-se da participação possível e necessária das diferentes camadas sociais no derrube da autocracia; ora, não apenas podemos, mas devemos dirigir, de qualquer forma, essa "actividade intensa das diferentes camadas da oposição" se quisermos ser a "vanguarda". Quanto a colocar os nossos estudantes, os nossos liberais etc., "face a face com nosso regime político", não serão os únicos a preocuparem-se com isso, pois disso se encarregarão sobretudo a polícia e os funcionários da autocracia. Mas, "nós", se quisermos ser democratas avançados, devemos ter a preocupação de incitar a pensar, exactamente aqueles que só estão descontentes com o regime universitário ou apenas com o regime dos zemstvos etc., que todo o regime político nada vale. Nós devemos assumir a organização de uma ampla luta política sob a direcção do nosso partido, a fim de que todas as camadas da oposição, quaisquer que sejam, possam prestar e prestem efectivamente a essa luta, assim como ao nosso partido, a ajuda de que são capazes. Dos práticos sociais-democratas, nós devemos formar os dirigentes políticos que saibam dirigir todas as manifestações dessa luta nos mais variados aspectos, que saibam no momento necessário "ditar um programa de acção positiva - aos estudantes em agitação, aos zemstvos descontentes, aos membros de seitas indignados, aos professores lesados etc. etc. Por isso, Martynov está completamente errado quando afirma que "em relação a eles, não podemos desempenhar senão um papel negativo de denunciadores do regime... Não podemos senão dissipar as suas esperanças nas diferentes comissões governamentais". (o grifo é nosso). Dizendo isso, Martynov mostra que não compreende nada sobre o verdadeiro papel da "vanguarda" revolucionária. E se o leitor tornar isso em consideração, compreenderá o verdadeiro sentido da seguinte conclusão de Martynov: "O Iskra é o órgão da oposição revolucionária, que denuncia o nosso regime, e principalmente o nosso regime político, quando vai ao encontro dos interesses das diferentes camadas da população. Quanto a nós, trabalhamos e trabalharemos pela causa operária em estreita ligação orgânica com a luta proletária: "restringindo a esfera da nossa influência, acentuamos esta influência em si mesma" (63). O verdadeiro sentido desta conclusão é: o Iskra deseja elevar a política sindical da classe operária (política à qual, entre nós, por mal-entendido, despreparo ou convicção, frequentemente se limitam os nossos práticos) ao nível da política social-democrata. Ora, o Rabótcheie Dielo deseja baixar a política social-democrata ao nível da política sindical. E ainda garante que são "posições perfeitamente compatíveis com a obra comum" (63), Oh sancta símplicitas! Prossigamos. Ternos forças suficientes para levar a nossa propaganda e a nossa agitação a todas as classes da população? Certamente que sim. Os nossos "economistas", que frequentemente se inclinam a negá-lo, esquecem-se do gigantesco progresso realizado pelo nosso movimento de 1894 (mais ou menos) a 1901. Verdadeiros "seguidistas", vivem frequentemente com ideias do período do começo do nosso movimento, há muito já terminado. De facto, éramos espantosamente fracos, a nossa resolução de nos dedicarmos inteiramente ao trabalho entre os operários e de condenar severamente todo o desvio dessa linha era natural e legítima, pois tratava-se então unicamente de nos consolidarmos no seio da classe operária. Agora, uma prodigiosa massa de forças está incorporada no movimento; vemos chegar até nós os melhores representantes da jovem geração das classes instruídas; por toda a parte, são obrigadas a residir nas províncias pessoas que já participam ou querem participar no movimento, e que tendem para a social-democracia (enquanto que, em 1894, podia-se contar pelos dedos os sociais-democratas russos). Um dos mais graves defeitos do nosso movimento - em política e em matéria de organização - é que não sabemos empregar todas essas forças, atribuir-lhes o trabalho que lhes convém (voltaremos a isto no capítulo seguinte).  A imensa maioria dessas forças encontra-se na impossibilidade absoluta "de ir até aos operários", por isso não se coloca a questão do perigo de desviar as forças do nosso movimento essencial. E para fornecer aos operários uma verdadeira iniciação política, múltipla e prática, é preciso que tenhamos "os nossos homens do nosso lado", sociais-democratas, sempre e em toda a parte, em todas as camadas sociais, em todas as posições que permitam conhecer as forças internas do mecanismo do nosso Estado. E precisamos desses homens, não apenas para a propaganda e a agitação mas, ainda e sobretudo, para a organização. Existe um campo para a acção em todas as classes da população? Os que não vêem isso, mostram que a sua consciência está atrasada relativamente ao impulso espontâneo das massas. Entre uns, o movimento operário suscitou e continua a suscitar o descontentamento; entre outros, desperta a esperança quanto ao apoio da oposição; para outros, enfim, dá a consciência da inviabilidade do regime autocrático, da sua falência evidente. Não seríamos "políticos" e sociais-democratas senão em palavras (como, na realidade, acontece frequentemente), se não compreendêssemos que a nossa tarefa é utilizar todas as manifestações de descontentamento, quaisquer que sejam, de reunir e elaborar até os menores elementos de um protesto, por embrionários que sejam. Sem contar que milhões e milhões de camponeses, trabalhadores, pequenos artesãos etc., escutam sempre avidamente a propaganda de um social-democrata, mesmo quando este é pouco hábil.

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