Lenine - Que Fazer?

     A elaboração de um jornal político para toda a Rússia - escrevia-se no Iskra - deve ser o fio condutor: seguindo-o, poderemos desenvolver ininterruptamente a organização, aprofundá-la e alargá-la (isto é, a organização revolucionária sempre pronta a apoiar todo protesto e efervescência). Por favor, digam-me: quando, os pedreiros colocam em diferentes pontos as pedras de um enorme edifício, de linhas absolutamente originais, esticam um fio que os ajuda a encontrar o lugar justo para as pedras, que lhes indica o objectivo final de todo o trabalho, que lhes permite colocar não apenas cada pedra, mas até cada pedaço de pedra que, cimentado ao que o precedeu e ao que o sucede, formará a linha definitiva e total. Será isto um trabalho "de escrita"? Não é evidente que hoje atravessamos no nosso Partido um período em que, possuindo as pedras e os pedreiros, nos falta exactamente o fio visível a todos e ao qual cada um se possa ater? Deixemos gritar aqueles que sustentam que, esticando o fio, queremos é mandar: se assim fosse, meus senhores, ao invés de intitularmos o nosso jornal de Iskra nº 1, teríamos utilizado o nome de Rabótchaia Gazeta nº 3, como nos foi proposto por alguns camaradas e como teríamos pleno direito de fazer após os acontecimentos relatados anteriormente. Mas não o fizemos, porque queríamos ter as mãos livres para combater sem piedade todos os pseudo-sociais-democratas: a partir do momento em que o nosso fio fosse esticado correctamente, queríamos que fosse respeitado pela sua própria rectidão, e não por ter sido esticado por um órgão oficial. "A unificação da actividade local nos órgãos centrais é uma questão que se movimenta num círculo vicioso", diz sentenciosamente L. Nadejdine. "Para tal unificação, necessitamos de elementos homogéneos: ora, essa homogeneidade não pode ser criada senão por algo que a unifique; mas a unificação só pode ser o produto de organizações locais fortes que, no momento presente, não se distinguem exactamente pela homogeneidade". Verdade tão respeitável e tão incontestável como a que afirma a necessidade de educar pessoas para formar organizações políticas fortes. Verdade, porém, não menos estéril. Qualquer questão "se movimenta num círculo vicioso", pois, toda a vida política é uma cadeia sem-fim composta de um número infinito de elos. A arte do político consiste precisamente em encontrar o elo e a ele agarrar-se fortemente, o elo mais difícil de escapar das mãos, o mais importante naquele momento, e que garanta ao seu possuidor a melhor forma de manter toda a cadeia. Se tivéssemos uma equipa de pedreiros experientes, suficientemente solidários para poder colocar as pedras onde é preciso (falando de forma abstracta, não é totalmente impossível), mesmo sem um fio condutor, poderíamos, talvez, agarrar-nos a um outro elo. Infelizmente não temos ainda esses pedreiros experientes e solidários; e, com muita frequência, as pedras são colocadas sem alinhamento, ao acaso, a tal ponto deslocadas que basta ao inimigo um sopro para dispersá-las, não como se fossem pedras, mas sim, grãos de areia. Outra comparação: "O jornal não é apenas um propagandista colectivo e um agitador colectivo; é também um organizador colectivo. A esse respeito, pode-se compará-lo aos andaimes que se levantam em redor de um edifício em construção; constitui o esboço dos contornos do edifício, facilita as comunicações entre os diferentes construtores, permitindo-lhes que repartam a tarefa e atinjam o conjunto dos resultados obtidos pelo trabalho organizado. Pode-se realmente dizer que, da parte de um literato, de um homem especializado no trabalho de gabinete, haverá um exagero do seu papel? Os andaimes não são de modo algum necessários à construção em si; são feitos com material da pior qualidade; são utilizados durante um curto período de tempo e atirados ao fogo antes de a obra estar terminada. No que diz respeito à construção de organizações revolucionárias, a experiência confirma que, por vezes, é possível construí-las mesmo sem andaimes - como em 1870-1880. Mas, neste momento, não podemos sequer imaginar a possibilidade de construir sem andaimes o edifício de que necessitamos. Nadejdine não está de acordo com isto, e diz: "Em torno desse jornal, por esse jornal, o povo reunir-se-á e organizar-se-á para a acção; assim pensa o Iskra. Mas esse objectivo será alcançado de modo muito mais rápido através da reunião e organização em torno de um trabalho mais concreto!" Certo, certo: "de modo muito mais rápido em torno de um trabalho mais concreto"... O provérbio russo diz: "Não cospe no poço quem precisará da água para saciar a sede." Mas há quem não se importe de saciar a sede no poço onde cuspiu. Nessa busca do mais concreto, quantas infâmias não foram levados a dizer e a escrever os nossos notáveis "críticos" legais "do marxismo" e os admiradores ilegais da Rabótchaia Mysl. Assim não é de espantar que o nosso movimento esteja comprimido pela nossa estreiteza, a nossa falta de iniciativa e de ousadia, justificadas por argumentos tradicionais semelhantes àquele que afirma ser muito mais rápida a unidade em torno de um trabalho mais concreto! E Nadejdine, que pretende ser particularmente dotado de senso das "realidades", que condena tão severamente os homens "de gabinete", que (com pretensões de sagacidade) recrimina o Iskra pela fraqueza de ver por toda a parte o "economismo", que imagina estar muito acima dessa divisão em ortodoxos e críticos, Nadejdine não percebe que, com os seus argumentos, faz o jogo dessa estreiteza que o indigna e que também bebe nos poços onde se cuspiu! Sim, a indignação mais sincera contra a estreiteza, o desejo mais ardente de desiludir aqueles que a reverenciam não são o bastante, se aquele que se indigna, erra ao sabor dos ventos, sem velas nem leme, e se aferra instintivamente", tal como os revolucionários de 1870-1880, ao "terrorismo excitativo", ao "terrorismo agrário", ao "toque a rebate" etc. Vejamos, agora, em que consiste esse "algo de mais concreto" em torno do qual, pensa o autor, "será feita de modo muito mais rápido" a união e a organização: 1º) jornais locais; 2º) preparação de manifestações; 3º) acção entre os desempregados. Vê-se, à primeira vista, que todas essas coisas foram tomadas ao completo acaso, ao azar, unicamente para dizer alguma coisa, pois, qualquer que seja o modo com que sejam consideradas, seria um verdadeiro absurdo que aí se encontrasse algo especialmente susceptível de levar à "união e organização". Além disso, o próprio Nadejdine declara duas páginas adiante: "Já é tempo de constatarmos simplesmente este facto: na província o trabalho é ínfimo, os comités não fazem um décimo do que poderiam... os centros de unificação que possuímos, actualmente, são apenas ficção, burocratismo revolucionário, mania geral de se atacar mutuamente, e assim será enquanto não forem constituídas organizações locais fortes." Essas palavras, ainda que exageradas, encerram incontestavelmente uma grande e amarga verdade; mas, porque é que Nadejdine não vê que o trabalho local ínfimo é resultado da estreiteza de visão dos militantes, da pequena envergadura de sua acção, coisas inevitáveis devido à falta de preparação dos militantes confinados ao quadro das organizações locais? Teria esquecido, tal como o autor do artigo publicado na Svoboda sobre a organização, que nos seus primórdios a formação de uma grande imprensa local (a partir de 1898) foi acompanhada por uma intensificação especial do "economismo" e do "trabalho artesanal"? E mesmo que fosse possível organizar de forma conveniente "uma grande imprensa local" (cuja impossibilidade, salvo raríssimas excepções, já demonstrámos anteriormente), as organizações locais não poderiam "unir e organizar" todas as forças de revolucionários para uma ofensiva geral contra a autocracia, para a direcção da luta comum. Não se esqueçam que, aqui, se trata unicamente de um jornal como "factor de recrutamento", de organização, e que poderíamos devolver a Nadejdine, campeão do fraccionamento, a questão irónica que ele próprio nos coloca: "Teríamos recebido como herança 200.000 organizadores revolucionários?" Além disso, não seria possível opor a preparação de manifestações" ao plano do Iskra, pela simples razão de esse plano prever justamente manifestações de maior repercussão como um dos objectivos a atingir; porém, do que aqui se trata é da escolha do meio prático. Mais uma vez Nadejdine enveredou por um caminho falso; esqueceu-se que apenas um exército já "recrutado e organizado" pode "preparar" manifestações (que até agora, na grande maioria dos casos, se desenrolaram de maneira espontânea). Ora, o que exactamente não sabemos fazer, é recrutar e organizar. "Acção entre os desempregados". Sempre a mesma confusão, pois aí também se trata de uma operação militar de uma tropa mobilizada, e não de um plano de mobilização de tropas. Veremos até que ponto Nadejdine ainda subestima o prejuízo que nos causou o nosso fraccionamento, a ausência entre nós de "200.000 organizadores". Muitos (entre eles Nadejdine) recriminaram o Iskra por fornecer precárias informações sobre o desemprego e dar apenas notícias fortuitas sobre as ocorrências mais comuns da vida rural. A recriminação tem fundamento; nesse caso, porém, o Iskra é "culpado sem ter culpa". Esforçamo-nos para "esticar o nosso cordão" também no campo; mas aí quase não há pedreiros; é preciso que encorajemos todos aqueles que nos comunicam os factos, mesmo os mais corriqueiros, na esperança de que isso aumente o número de nossos colaboradores nesse campo, e que nos ensine, a todos, a escolher quais são os factos verdadeiramente relevantes. Mas, a documentação para os estudos é tão restrita que, se não for difundida para toda a Rússia, decididamente nada teremos para nos instruir. Naturalmente, um homem que possua algumas das capacidades de agitador de Nadejdine e o seu conhecimento da vida dos vagabundos poderia, através da agitação efectuada entre os desempregados, prestar serviços inestimáveis ao movimento; porém, desperdiçaria o seu talento se não se preocupasse em colocar todos os camaradas russos ao corrente do menor progresso da sua acção, a fim de dar exemplo e informações às pessoas que, na sua grande maioria, nem mesmo sabem ainda juntar-se a essa tarefa, que lhes é desconhecida. Hoje, sem excepção, todos falam da importância que se atribui à unificação, da necessidade de "recrutar e organizar"; mas a maior parte das vezes não se tem ideias definidas sobre a questão de saber por onde começar e como realizar essa unificação. Sem dúvida estarão de acordo que para "unificar", por exemplo, os círculos de bairro de uma cidade, é preciso que haja instituições comuns, isto é, não apenas o nome comum de "união", mas um verdadeiro trabalho comum, uma troca de documentação, experiência e forças, uma partilha de funções para cada actividade dentro da cidade, não somente por bairros, mas por especialidades. Qualquer um concordará que um aparelho clandestino sério não poderá realizar as suas "empreitadas" (se for permitido empregar esta expressão comercial), se estiver limitado aos "recursos" (materiais e humanos, bem entendido) de um único bairro, e que o talento de um especialista não poderá ser desenvolvido num campo de acção tão restrito. O mesmo ocorre em relação à união das diferentes cidades, pois a história do nosso movimento social-democrata já demonstrou e mostra que o campo de acção de uma localidade isolada é extremamente limitado: isto já foi provado anteriormente, de forma detalhada, pelo exemplo da agitação política e do trabalho de organização. É preciso - e indispensável - antes de tudo, alargar esse campo de acção, criar uma ligação efectiva entre as cidades na base de um trabalho regular comum, pois o fraccionamento reprime as faculdades daqueles que, "encerrados numa torre" (segundo a expressão do autor de uma carta ao Iskra), ignoram o que se passa no mundo, não sabem com quem se informar, como adquirir experiência, como satisfazer a sua sede de uma acção extensa. E insisto em sustentar que apenas se pode começar a criar essa ligação efectiva com um jornal comum, empresa única e regular para toda a Rússia, que resumirá as mais variadas actividades e incitará as pessoas a progredir constantemente por todos os numerosos caminhos que conduzem à revolução, da mesma forma que todos os caminhos levam a Roma. Se nos queremos unir não apenas em palavras, é preciso que cada círculo local reserve imediatamente, digamos, um quarto das suas forças para a participação activa na obra comum. E o jornal mostrará prontamente os contornos gerais, as proporções e o carácter dessa obra; as lacunas que se fazem sentir mais fortemente na acção conduzida à escala nacional, os lugares onde a agitação é deficiente e onde a ligação é precária, as engrenagens do imenso mecanismo comum que o círculo poderia reparar ou substituir por outras melhores. Um círculo, que ainda não trabalhou e procura fazê-lo, poderia começar não como um artesão isolado na sua pequena oficina, que não conhece nem a evolução anterior da "indústria", nem o estado geral dos meios de produção industrial, mas como o colaborador de uma grande empresa que reflecte o impulso revolucionário geral contra a autocracia. E quanto mais perfeito fosse o acabamento de cada engrenagem, mais numerosos seriam os trabalhadores empregados nos diferentes detalhes da obra comum, mais densa seria a nossa rede, e menores as inevitáveis detenções a perturbar os nossos escalões. A própria função de difusão do jornal começaria a criar uma ligação efectiva (se esse jornal for digno do nome, isto é, se aparecer regularmente e não uma vez por mês, como as grandes revistas, mas cerca de quatro vezes por mês). As relações entre cidades quanto às necessidades da causa revolucionária são, hoje, muito raras e, quando existem, constituem excepção; tornar-se-iam, então, uma regra e assegurariam, bem entendido, não apenas a difusão do jornal, mas também (o que é mais importante) a troca de experiências, documentação, forças e recursos. O trabalho de organização assumiria amplitude muito mais considerável, e o sucesso obtido numa localidade encorajaria constantemente o aperfeiçoamento do trabalho, incitaria ao aproveitamento da experiência já adquirida pelos camaradas que militassem noutro ponto do país. O trabalho local ganharia infinitamente em extensão e variedade; as revelações políticas e económicas recolhidas em toda a Rússia forneceriam o alimento intelectual aos operários de todas as profissões e de todos os graus de desenvolvimento; forneceriam material e oportunidade para debates e conferências sobre as mais variadas questões, suscitadas, também, pelas alusões da imprensa legal, pelas conversas em sociedade e pelos "tímidos" comunicados do governo. Cada explosão, cada manifestação seriam apreciadas e examinadas sob todos os seus aspectos, em todos os pontos da Rússia; provocaria o desejo de não se ficar atrás dos outros, de se fazer melhor que os outros - (nós, socialistas, não recusamos absolutamente qualquer forma de emulação e "competição"!) - de preparar conscientemente o que antes fora feito de forma espontânea, de aproveitar as circunstâncias favoráveis de tempo ou de lugar para modificar o plano de ataque etc. Além disso, essa reanimação do trabalho local não conduziria a essa tensão desesperada, in extremis, de todas as forças, a esse estado de alerta de todos os nossos homens, a que nos obriga ordinariamente, hoje, toda a manifestação ou número de jornal local: de um lado, a polícia teria muito mais dificuldade para descobrir as "raízes", não sabendo em que localidade procurá-las; de outro, o trabalho comum regular ensinaria os homens a adequar um determinado ataque ao estado das forças deste ou daquele destacamento do nosso exército comum (o que, hoje, quase ninguém pensa, pois, em cada dez ataques, nove produzem-se espontaneamente) e facilitaria o "transporte" não apenas da literatura de propaganda, mas também de forças revolucionárias, de um lugar ao outro. Actualmente, na sua maioria, essas forças são exauridas no estreito campo de acção do trabalho local. Mas, nessas outras circunstâncias, haveria a possibilidade e a oportunidade constantes de transferir de um extremo ao outro do país todo o agitador ou organizador por menos capaz que fosse. Após terem começado por pequenas viagens para tratar de assuntos do Partido, às custas do Partido, os militantes estariam habituados a viver inteiramente por conta do Partido; tornar-se-iam revolucionários profissionais e preparar-se-iam para o papel de verdadeiros chefes políticos. E se realmente chegássemos a obter que a totalidade ou a maior parte dos comités, grupos e círculos locais se associassem activamente para a obra comum, poderíamos em breve elaborar um semanário, regularmente divulgado em dezenas de milhares de exemplares por toda a Rússia. Esse jornal seria parte de um gigantesco fole de uma forja que atiçasse cada fagulha da luta de classes e da indignação popular, para daí fazer surgir um grande incêndio. Em torno dessa obra, em si ainda inofensiva e pequena, mas regular e comum no pleno sentido da palavra, um exército permanente de lutadores experimentados seria sistematicamente recrutado e instruído. Sobre os andaimes e cavaletes dessa organização comum em construção, logo veríamos subir, saídos das fileiras dos nossos revolucionários, os Jeliabov sociais-democratas e, saídos das fileiras dos nossos operários, os Bebel russos que, à frente desse exército mobilizado, levantariam todo o povo para fazer justiça à vergonha e à maldição que pesam sobre a Rússia. É com isto que precisamos sonhar! "É preciso sonhar!" Escrevo estas palavras e de repente tenho medo. Imagino-me sentado no "congresso da unificação", tendo à minha frente os redactores e colaboradores do Rabótcheie Dielo. E eis que se levanta o camarada Martynov e, ameaçador, dirige-me a palavra: "Mas, permita-me perguntar! Uma redacção autónoma ainda tem o direito de sonhar sem ter comunicado tal facto aos comités do Partido?" Depois, é o camarada Kritchévskí que se dirige a mim e (aprofundando filosoficamente o camarada Martynov, que há muito tempo já aprofundara o camarada Plekhanov) continua ainda mais ameaçador: "Irei mais longe. Pergunto-lhe: um marxista tem, em geral, o direito de sonhar, se ainda não esqueceu que, segundo Marx, à humanidade sempre se põem tarefas realizáveis, e que a táctica é um processo de crescimento das tarefas do Partido, que crescem junto com o Partido?" À simples lembrança destas questões ameaçadoras sinto um calafrio, e penso apenas numa coisa: onde me vou esconder. Talvez atrás de Pissarev. "Há desacordos e desacordos", escrevia Pissarev sobre o desacordo entre o sonho e a realidade. "O meu sonho pode ultrapassar o curso natural dos acontecimentos ou desviar-se para uma direcção onde o curso natural dos acontecimentos jamais poderá conduzir. No primeiro caso, o sonho não produz nenhum mal; pode até sustentar e reforçar a energia do trabalhador... Em tais sonhos, nada pode corromper ou paralisar a força de trabalho. Pelo contrário. Se o homem fosse completamente desprovido da faculdade de sonhar assim, se não pudesse de vez em quando adiantar-se ao presente e contemplar em imaginação o quadro lógico e inteiramente acabado da obra que apenas se esboça nas suas mãos, eu não poderia decididamente compreender o que levaria o homem a empreender e a realizar vastos e fatigantes trabalhos na arte, na ciência e na vida prática... O desacordo entre o sonho e a realidade nada tem de nocivo se, cada vez que sonha, o homem acredita seriamente no seu sonho, se observa atentamente a vida, compara as suas observações com os seus castelos no ar e, de uma forma geral, trabalha conscientemente para a realização do seu sonho. Quando existe contacto entre o sonho e a vida, tudo vai bem". Infelizmente há poucos sonhos dessa espécie no nosso movimento. E a culpa é sobretudo dos nossos representantes da crítica legal e do "seguidismo" ilegal, que se gabam de ponderação, do seu "senso" do "concreto". 

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