Lenine - Que Fazer?

Que fazer? IV-2- Os métodos artesanais dos economistas e a organização dos revolucionários

 

c) A organização dos operários e a organização dos revolucionários 

 

     Se para o social-democrata a ideia de "luta económica contra os patrões e o governo" se identifica com a de luta política, é natural que a ideia de "organização de operários" se identifique, entre eles, mais ou menos com a ideia de "organização de revolucionários". E, na realidade, é o que acontece, de modo que falando de organização, falamos línguas absolutamente diferentes. Lembro-me, por exemplo, de uma conversa que tive um dia com um "economista" bastante consequente, e que ainda não conhecia. A conversa girou em torno do folheto "Quem fará a revolução política?" . Concluímos, rapidamente, que o seu principal defeito era não considerar os problemas de organização. Pensávamos já estar de acordo, mas... prosseguindo a conversa, percebemos que falávamos de coisas diferentes. Meu interlocutor, acusava o autor de não levar em consideração as caixas de auxílio às greves, as sociedades de socorro mútuo, etc.; quanto a mim, falava da organização de revolucionários indispensável para "fazer" a revolução política. E desde que ocorreu esta divergência, não me lembro mais de ter estado de acordo sobre qualquer questão de princípio com esse "economista"! Mas, qual era, pois, a causa das nossas divergências? Justamente o facto de os "economistas" se desviarem constantemente do "social-democratismo" para o sindicalismo, tanto nas tarefas de organização como nas tarefas políticas. A luta política da social-democracia é muito maior e muito mais complexa que a luta económica dos operários contra os patrões e o governo. Do mesmo modo (e como consequência) a organização de um partido social-democrata revolucionário deve necessariamente constituir um género diferente da organização dos operários para a luta económica. A organização dos operários deve ser, em primeiro lugar, profissional; em segundo lugar, a maior possível; em terceiro lugar, a menos clandestina possível (aqui e mais adiante refiro-me, bem entendido, apenas à Rússia autocrática). Ao contrário, a organização dos revolucionários deve englobar, antes de tudo e principalmente, homens cuja profissão é a acção revolucionária (por isso, quando falo de uma organização de revolucionários, refiro-me aos revolucionários sociais-democratas). Diante dessa característica comum aos membros de tal organização, deve desaparecer por completo toda distinção entre operários e intelectuais e ainda com maiores razões, entre as diversas profissões de uns e de outros. Necessariamente essa organização não deve ser muito extensa e é preciso que seja a mais clandestina possível. Vamos deter-nos sobre estes três pontos específicos. Nos países onde há liberdade política, a diferença entre a organização sindical e a organização política é perfeitamente clara, como também a diferença entre o sindicalismo e a social-democracia. Certamente, as relações da social-democracia com os sindicatos variam, inevitavelmente, de país a país segundo as condições históricas, jurídicas e outras; podem ser mais ou menos estreitas, complexas etc. (devem ser, em nossa opinião, as mais estreitas e as menos complexas possíveis); mas, nos países livres, não existe o risco de se identificar a organização sindical com a do partido social-democrata. Na Rússia, o jugo da autocracia apaga, à primeira vista, toda a distinção entre a organização social-democrata e a associação operária, pois todas as associações operárias e todos os círculos estão proibidos, e a greve, manifestação e arma principais da luta económica dos operários, é considerada um crime de direito comum (às vezes até um delito político). Assim, a situação entre nós, de um lado, "incita" forçosamente os operários que conduzem a luta económica a ocuparem-se de questões políticas e, de outro, "incita" os sociais-democratas a confundirem o sindicalismo com o "social-democratismo" (e os nossos Kritchévski, Martynov e companhia., que não param de falar sobre a "incitação" do primeiro género, não observam a "incitação" do segundo género). De facto, considerando as pessoas absorvidas noventa e nove por cento pela luta económica contra os patrões e o governo, uns, durante todo o período de sua actividade (de 4 a 6 meses), jamais serão levados a pensar na necessidade de uma organização mais complexa de revolucionários; outros, ao que parece, serão "levados" a ler a obra bernisteiniana, relativamente difundida, e daí extrairão a convicção de que é a "marcha progressiva da obscura luta quotidiana" que apresenta uma importância fundamental. Os outros, enfim, talvez sejam seduzidos pela ideia de dar ao mundo um novo exemplo de "estreita ligação orgânica com a luta proletária", de ligação entre o movimento sindical e o movimento social-democrata. Essas pessoas raciocinarão assim: quanto mais tarde um país entrar na arena do capitalismo, e portanto na do movimento operário, mais os socialistas poderão participar do movimento sindical e apoiá-lo, e haverá menos condições para a existência de sindicatos não sociais-democratas. Até aqui, esse raciocínio é perfeitamente justo, mas o mal é que vão mais longe e sonham com a fusão completa do "social-democratismo" e do sindicalismo. Vamos ver, em seguida, através do exemplo dos "Estatutos da União de Luta de São Petersburgo", a influência nociva que esses sonhos exercem sobre nossos planos de organização. As organizações operárias para a luta económica devem ser organizações profissionais. Qualquer operário social-democrata deve, sempre que possível, apoiar essas organizações e aí trabalhar activamente. Mas não é nosso interesse exigir que só os sociais-democratas possam ser membros das uniões "corporativistas": isso restringiria a nossa influência sobre a massa dos operários. Deixemos participar na união corporativa todo o operário que compreenda a necessidade de se unir para lutar contra os patrões e o governo. O próprio objectivo das uniões corporativas não seria atingido, se não agrupassem todos aqueles capazes de compreender essa noção elementar e se essas uniões corporativas não fossem organizações muito amplas. E quanto maiores essas organizações, também maior será a nossa influência sobre elas, influência exercida não apenas no desenvolvimento "espontâneo" da luta económica, mas também, pela acção consciente e directa dos membros socialistas da união sobre os seus camaradas. Mas, numa organização ampla, uma acção estritamente conspirativa é impossível (pois exige mais preparação do que a necessária para participar da luta económica). Como conciliar essa contradição entre a necessidade de uma organização ampla e a necessidade de uma acção estritamente conspirativa? Como fazer para que as organizações corporativas sejam o menos possível de conspiração? De modo geral, há apenas dois meios: ou a legalização das associações corporativas (que em certos países precedeu a legalização das associações socialistas e políticas), ou a manutenção da organização secreta, mas "livre", pouco regulamentada, lose, como dizem os alemães, a tal ponto que, para a massa dos associados, o regime conspirativo fica reduzido quase a zero. A legalização das associações operárias não socialistas e não políticas já começou na Rússia, e não há dúvida de que cada passo do nosso movimento operário social-democrata, em rápida progressão, multiplicará e encorajará as tentativas dessa legalização, tentativas que vêm sobretudo dos partidários do regime estabelecido, mas, também, dos operários e dos intelectuais liberais. A bandeira da legalização já foi hasteada pelos Vassiliev e os Zubatov; os Ozerov e os Worms já prometeram e deram a sua cooperação, e entre os operários já se encontram adeptos da nova tendência. E nós não podemos deixar de considerar essa tendência. E como considerá-la? Quanto a isso, não poderia existir mais do que uma opinião entre os sociais-democratas. Devemos denunciar constantemente toda participação dos Zubatov, dos Vassiliev, dos policiais e dos popes nessa tendência, e esclarecer os operários sobre as verdadeiras intenções desses participantes. Devemos denunciar também todas as notas conciliadoras e "harmónicas" que se manifestam nos discursos dos liberais nas assembleias públicas dos operários, quer sejam moduladas por pessoas sinceramente convencidas de que a colaboração pacífica entre classes é desejável, quer tenham o desejo de serem bem vistas pelas autoridades ou, enfim, quer essas pessoas sejam simplesmente inábeis. Devemos, enfim, colocar os operários em guarda contra as armadilhas frequentemente preparadas pela polícia que, nessas assembleias públicas e nas sociedades autorizadas, busca marcar os "homens imbuídos do fogo sagrado" e aproveitar-se das organizações legais para introduzir provocadores também nas organizações ilegais. Mas, fazer isto não significa esquecer que a legislação do movimento operário, afinal de contas, não beneficiará os Zubatov, mas a nós mesmos. Ao contrário, justamente pela nossa campanha de denúncias separamos o joio do trigo. Já mostrámos qual é o joio. O trigo é atrair a atenção de maiores camadas e mais atrasadas de operários para as questões políticas e sociais: é libertar-nos a nós, revolucionários, de funções que, no fundo, são legais (difusão de obras legais, socorro mútuo etc.) e que, desenvolvendo-se, dar-nos-ão infalivelmente material cada vez mais abundante para a agitação. Nesse sentido podemos e devemos dizer aos Zubatov e aos Ozerov: trabalhem, senhores, trabalhem! Enquanto os senhores preparam armadilhas para os operários, pela provocação directa ou pelo "struvismo" (meio "honesto" de corromper os operários), nós encarregamo-nos de desmascará-los. Enquanto os senhores dão realmente um passo à frente - mesmo que seja sob a forma de um "tímido ziguezague" - mas um passo à frente, apesar de tudo, nós lhe diremos: isso mesmo! E todo o alargamento do campo de acção dos operários, mesmo minúsculo, constitui um verdadeiro passo à frente. E todo o alargamento desse género só pode beneficiar-nos: apressará o aparecimento de associações legais, onde não serão os provocadores que pescarão os socialistas, mas os socialistas que pescarão adeptos. Numa palavra, o que é preciso, agora, é combater o joio. Não nos cumpre cultivar o trigo em vasos. Arrancando o joio, limpamos o terreno a fim de permitir que o trigo germine. E enquanto os Afanassi Ivanovitch e as Pulquéria Ivanovna se ocupam da cultura doméstica do trigo, nós devemos preparar segadores que saibam, hoje, arrancar o joio, e amanhã ceifar o trigo. Assim, nós não podemos, por intermédio da legalização, resolver o problema da criação de uma organização profissional menos clandestina e a maior possível (mas ficaríamos muito felizes se os Zubatov e os Ozerov nos oferecessem a possibilidade, mesmo parcial, de assim resolver o problema, pois devemos lutar contra eles com o máximo de energia!). Resta o caminho das organizações profissionais secretas, e devemos, por todos os meios, ajudar os operários que já seguem por esse caminho (sabemos isso de fonte segura). As organizações profissionais podem não só ser de imensa utilidade para o desenvolvimento e o fortalecimento da luta económica, mas também, tornar-se num precioso auxiliar da agitação política e da organização revolucionária. Para chegar a esse resultado, para orientar o movimento profissional nascente no caminho desejado pela social-democracia, é preciso antes de tudo compreender bem o absurdo do plano de organização do qual se envaidecem, já há cinco anos, os "economistas" de Petersburgo. Esse plano também está exposto nos Estatutos da Caixa Operária, de Julho de 1897 (Listok "Rab. ", n.º 9-10, p. 46, no n.º 1 da Rabótchaia Mysl) e nos Estatutos da Organização Operária Profissional, de Outubro de 1900 (folha especial, impressa em São Petersburgo e mencionada no n.º 1 do Iskra). Esses estatutos têm um defeito essencial: expõem todos os detalhes de uma grande organização operária, que confundem com uma organização de revolucionários. Tomemos os segundos estatutos, melhor elaborados. Apresentam cinquenta e dois parágrafos: 23 parágrafos expõem a estrutura, o modo de gestão e as funções dos "círculos operários" que serão organizados em cada fábrica ("não mais de 10 pessoas") e elegerão os "grupos centrais (de fábrica)". O parágrafo 2 especifica: "O grupo central observa tudo o que se passa na fábrica ou na oficina, e encarrega-se da crónica dos acontecimentos". "O grupo central presta contas do estado da caixa, mensalmente, a todos os contribuintes (parágrafo 17) etc.; dez parágrafos são dedicados à "organização de bairro", e dezanove à intrincadíssima relação do "Comité da Organização Operária" e do "Comité da União de Luta de São Petersburgo (delegados de cada bairro e dos "grupos executivos" - "grupos de propagandistas para as relações com a província, para as relações com o exterior, para a administração dos depósitos, das edições, da caixa"). A social-democracia incorpora-se nos "grupos executivos", no que diz respeito à luta económica dos operários! Seria difícil demonstrar de forma mais relevante como o pensamento do "economista" se desvia do "social-democratismo" em direcção ao sindicalismo, e como se preocupa pouco com o facto de o social-democrata dever, antes de tudo, pensar em organizar revolucionários capazes de dirigir toda a luta emancipadora do proletariado. Falar da "emancipação política da classe operária", da luta contra a "arbitrariedade czarista" e redigir semelhantes estatutos, significa nada compreender, mas absolutamente nada, das verdadeiras tarefas políticas da social-democracia. Nenhum dos cinquenta parágrafos revela o menor traço de compreensão da necessidade de se fazer entre as massas uma grande agitação política, esclarecendo todos os aspectos do absolutismo russo, toda a fisionomia das diferentes classes sociais na Rússia. Além disso, com tais estatutos, não só os fins políticos como até mesmo os fins sindicais do movimento jamais poderiam ser atingidos, visto exigirem urna organização por profissões, da qual os estatutos nada dizem. Mas o mais característico é talvez o surpreendente peso de todo esse "sistema", que procura ligar cada fábrica ao "comité" por intermédio de regulamentos uniformes e minuciosos até ao ridículo, com um sistema eleitoral em três níveis. Comprimidos no estreito horizonte do "economicismo", o pensamento perde-se em detalhes que exalam um forte odor de papelada e burocracia. Na realidade, três quartos desses parágrafos nunca serão aplicados; por outro lado, semelhante organização "clandestina", com um grupo central em cada fábrica, facilita à polícia as prisões em massa. Os camaradas polacos já passaram por essa fase do movimento; houve um período em que todos desejavam fundar caixas operárias por toda a parte: mas logo renunciaram a essa ideia, quando se convenceram que simplesmente favoreciam a polícia. Se queremos amplas organizações operárias e não amplas acções policiais, se não queremos fazer o jogo dos polícias, devemos fazê-las de forma que não sejam de modo algum regulamentadas. Mas como poderão elas, então, funcionar? Consideremos um pouco essas funções: "Observar tudo o que se passa na fábrica e fazer a crónica dos acontecimentos" (§ 2 dos estatutos). Será preciso, na verdade, regulamentar essa função? O seu objectivo não será melhor atingido através das crónicas na imprensa ilegal, sem que grupos de qualquer espécie sejam especialmente constituídos para esse fim? "... Dirigir a luta dos operários para melhorar a sua condição na fábrica" (§ 3). Mais urna vez, é inútil regulamentar. Urna simples conversa basta para um agitador (mesmo pouco inteligente) saber exactamente quais são as reivindicações que os operários desejam formular; depois, conhecendo-as, saberá transmiti-las a uma organização restrita - e não ampla - de revolucionários, que editará um panfleto apropriado. "... Organizar uma caixa ... com a contribuição de 2 copeques por rublo" (§ 9) e prestar contas do estado da caixa, mensalmente, a todos os contribuintes (§ 17); excluir os membros que não paguem sua contribuição (§ 10) etc. Para a polícia, isto é um verdadeiro paraíso, pois nada é mais fácil do que denunciar esse trabalho de conspiração da "caixa central da fábrica", de confiscar o dinheiro e encarcerar toda a "elite". Não seria mais simples emitir selos de um ou dois copepues de uma certa organização (muito restrita e muito secreta), ou ainda, sem qualquer símbolo, fazer colectas, cujos resultados seriam dados por um jornal ilegal, com uma linguagem combinada? Dessa forma, os mesmos objectivos seriam atingidos, e a polícia teria de trabalhar cem vezes mais para descobrir a trama da organização. Poderia continuar esta análise-tipo dos estatutos, mas creio já ter dito o suficiente. Um pequeno núcleo compacto, composto dos operários mais seguros, mais experimentados e mais fortalecidos, um núcleo tendo homens de confiança nos principais bairros, e ligado de acordo com as regras da mais estrita acção clandestina à organização dos revolucionários, poderá perfeitamente, com maior colaboração da massa e sem qualquer regulamentação, encarregar-se de todas as funções que competem a uma organização profissional e, além disso, realizá-las exactamente segundo as aspirações da social-democracia. Só assim poderemos consolidar e desenvolver, apesar de toda a polícia, o movimento profissional social-democrata. Poderiam objectar que uma organização lose ao ponto de não ter qualquer regulamento, nem membros declarados e registados, não poderia ser qualificada de organização. Talvez: não me importo com o nome. Mas, essa "organização sem membros" fará tudo o que é necessário, assegurará desde o princípio uma ligação sólida entre os nossos futuros sindicatos e o socialismo. E aqueles que, sob o absolutismo, desejam uma grande organização de operários com eleições, contas prestadas, sufrágio universal etc., são todos utópicos incuráveis e de boa fé. A moral a extrair disso é simples: se começamos por estabelecer urna organização de revolucionários, forte e sólida, poderemos assegurar a estabilidade do movimento no seu conjunto, atingir simultaneamente os objectivos sociais-democratas e os objectivos propriamente sindicais. Mas, se começamos por constituir uma organização operária ampla, pretensamente a mais "acessível" à massa (na realidade, a mais acessível à polícia e que tornará os revolucionários mais acessíveis à polícia), não atingiremos nenhum desses objectivos. Não nos livraremos dos nossos métodos artesanais e, pela nossa fragmentação, pelos nossos fracassos contínuos, apenas tornaremos mais acessíveis à massa os sindicatos do tipo Zubatov ou Ozerov. Quais devem ser, propriamente, as funções dessa organização de revolucionários? Falaremos disso em detalhe. Mas examinaremos primeiro um outro raciocínio bem típico do nosso terrorista que, mais uma vez (triste destino o seu!), se encontra próximo do "economismo". A Svoboda (nº1), revista para os operários, contém um artigo intitulado "A Organização", cujo autor busca defender os seus amigos, os "economistas" operários de Ivanovo-Voznessensk. "É deplorável", diz ele, "quando uma multidão é silenciosa, inconsciente, quando um movimento não vem de baixo. Observem o que acontece numa cidade universitária, quando os estudantes, na época de festas ou durante o verão, voltam para as suas casas; o movimento operário paralisa-se. Um movimento operário estimulado a partir do exterior pode constituir uma força verdadeira? Não, certamente... Ainda não aprendeu a marchar por si, deve ser amparado. Isso ocorre em todo lugar: os estudantes partem, e o movimento cessa; os elementos mais capazes, a nata, são aprisionados, e o leite azeda; prende-se o 'Comité', e enquanto um novo 'Comité' não for formado, sobrevém a calmaria; e não se sabe ainda o que será o novo 'Comité'; talvez não se assemelhe ao antigo: este dizia uma coisa, aquele dirá o contrário. Rompeu-se o laço entre ontem e hoje, a experiência do passado não beneficia o futuro. E tudo isso porque o movimento não tem raízes profundas na multidão; porque o trabalho é feito não por uma centena de imbecis, mas por uma dezena de cabeças dotadas de inteligência. Uma dezena de homens cai facilmente na boca do lobo; mas, quando a organização engloba a multidão, quando tudo vem da multidão, é impossível destruir o movimento" (p. 63). Os factos estão fielmente relatados. Eis um bom quadro do nosso trabalho artesanal. Mas, as conclusões, pela sua falta de lógica e de tacto político, são dignas da Rabótchaia Mysl. É o cúmulo da falta de lógica, pois o autor confunde a questão filosófica, histórica e social das "raízes profundas" do movimento com o problema da organização técnica de uma luta mais eficaz contra a polícia. É o cúmulo da falta de tacto político, pois, em lugar de submeter os maus dirigentes aos bons dirigentes, o autor submete os dirigentes em geral à "multidão". É ainda uma forma de nos fazer retroceder no que diz respeito à organização, do mesmo modo que a ideia de substituir a agitação política pelo "terror excitativo" nos faz retroceder politicamente. Isto é um verdadeiro embarras de richesses!

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