Eleições intercalares à C.M. Lisboa 2007

Manifesto Eleitoral às Eleições Intercalares à C.M. Lisboa em 2007

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 "É PRECISO SALVAR LISBOA!"

LISBOA VIVE HOJE UMA SITUAÇÃO DRAMÁTICA E CALAMITOSA

         Lisboa, ao longo das três últimas décadas, perde 10. 000 Habitantes todos os anos. Não tem nem cria empregos, Não constitui qualquer pólo de desenvolvimento, seja ele económico, tecnológico, cultural ou social.

         Perdeu - não obstante as suas óptimas condições naturais e a sua excelente situação geoestratégica - qualquer competitividade internacional, valendo menos no quadro europeu do que qualquer dos sete principais portos espanhóis.

         Tem dezenas e dezenas de milhar de pessoas, em particular jovens a quererem e a precisarem de habitação e tem dezenas de milhar de casas prontas, mas fechadas e devolutas, á espera do lucro fácil da especulação imobiliária (que assim tomou conta e distorceu por completo o mercado da habitação e se enleou e se assenhoreou da própria Câmara Municipal), tornando ainda mais acentuado o envelhecimento da cidade.

         Há inúmeros prédios degradados e mesmo abandonados, á espera de derrocarem e de propiciarem então negócios de milhões.

         Ainda que nalgumas zonas (por exemplo em Alfama) haja alguma recuperação curso, ela é demasiado lenta e demasiado exígua, Lisboa é hoje, uma cidade envelhecida e degradada, feia inexplicavelmente desleixada e muito, muito Suja; por inteiro desertificada sobre tudo a partir do fim da tarde em certas zonas; onde a imagem e a pratica da complacência perante a ilegalidade e o abuso estão continuamente presentes (as obras, como por exemplo as do metro na Av. Duque d` Ávila e no Terreiro do Passo, arrastam-se interminavelmente e sem fim á vista; o espaço público é todos os dias abusivamente e gratuitamente ocupado por toda a sorte de prevaricadores: as cargas r descargas fazem-se impunemente em qualquer local do dia ou da noite; o estacionamento ilegal é sistematicamente tolerado, fazendo com que avenidas com três faixas de rodagem disponham de duas ou até de uma apenas e os peões não conseguem andar na cidade por terem os passeios ocupados por automóveis):

         Lisboa e todos quantos nela vivem, ou trabalham ou a visitam estão laqueados e separados do Tejo e a sua vocação marítima é todos os dias assassinada por uma instituição feudal sem rei nem roque (a Administração do Porto de Lisboa) que é dona da margem norte do rio praticamente de Vila Franca de Xira até Cascais e a quem a cidade continua a tolerar que pratique inefáveis desmandos com o dos autênticos caixotes que estão ser construídos em Peno Cais do Sodré.

         Lisboa é, é pois, hoje um local onde não pode gostar de viver e/ou trabalhar, porque não tem qualidade de vida, o trânsito automóvel e a poluição sonora são um autêntico inferno, os transportes públicos (cuja administração nunca deveria ter saído das mãos da Câmara não servem as necessidades da população, onde tudo foi sacrificado ao automóvel, onde não lugar para os peões e em particular para as crianças, os velhos e os deficientes, e onde não há espaços de cultura, de lazer e de bem-estar nos quais as pessoas possam simplesmente estar, viver e respirar e gozar as delicias de uma cidade que poderia ser, mas de todo não é, pulsante de vida, de fervilhar económico, de trabalho, de oferta de desporto.

         A própria Administração autárquica é o reflexo de toda esta politica de abandono de traição aos interesses dos lisboetas e do país e de enleio com os grandes e poderosos interesses instalados.

A Câmara de Lisboa tem, tem pelo menos, o dobro dos funcionários e colaboradores que devia ter (tem 10.000 para cerca de 600.00 habitantes enquanto, por exemplo Madrid tem 25,000 funcionários para mais de três milhões de habitantes) decorrentes, e em larga medida, da acumulação, nas suas prateleiras, das sucessivas clientelas partidárias, até se chegar aquela que aplaude o Eng. Carmona Rodrigues... e consomem mais de 90% dos seus recursos a pagar vencimentos remunerações!?

Todos conhecemos a imensa teia burocrática que cerca e asfixia a autarquia e os fenómenos de corrupção (politica, económica, social ou outra) a que ela necessariamente está ligada - o tempo que um simples processo de obras que não teve a chancela "certa" leva a despachar ou a admissibilidade de escândalos urbanísticos como a do caixotão construído á entrada do Bairro Alto, pelo lado do Largo do Calhariz, são disso meros exemplos.

E QUEM SÃO OS RESPONSÁVEIS POR ESTE DESASTRE?

Hoje Lisboa encontra-se, pois em situação de autêntica calamidade, mas essa situação tem responsáveis, e estes têm rosto e têm nome!

Tais responsáveis - É preciso dizê-lo com toda a clareza! - São todos sem excepção, os partidos que estiveram na Câmara nestes últimos 30 anos, e a quem não deve ser permitido que fujam, seja com que truques forem (como por exemplo o de tentar lá colocar um Ministro do Governo Sócrates...), a prestar contas pelos autênticos desmandos que cometeram.

Na verdade, o PS esteve sozinho durante 3 anos á frente dos destinos da Câmara de Lisboa coligados com o PCP e também com o Bloco de Esquerda; por seu turno, o CDS e o PSD presidiram aos destinos de Lisboa durante outros 18 anos (os 12 de Abecassis mais os 6 de Santana Lopes e de Carmona).

Todos eles têm, portanto, as mãos sujas do lodaçal do pântano em que, com a sua politica e com os seus interesses que ela serviu, transformaram cada vez mais Lisboa.

E por isso mesmo, todos eles devem agora ser pura e simplesmente corridos da Câmara sob pena de o desastre se agravar cada vez mais!

UM PLANO ESTRATEGICO PARA FAZER DE LISBOA UMA GRANDE CAPITAL!

A verdade é que Portugal e, nesta época da chamada "globalização", a Europa precisam para o seu próprio desenvolvimento de uma grande capital que seja a sua porta de entrada ( e também de saída para tais destinos) de pessoas e de mercadorias vindas da América do Norte, e do Sul, de África ( em particular das ex-colónias) e até do Mediterrâneo, que crie e desenvolva emprego, que seja atractiva para nela investir, trabalhar, residir e conviver.

É por isso que a questão de Lisboa, a questão de uma verdadeira Capita, competitiva a nível internacional, não é meramente uma questão dos lisboetas, mas sim uma questão do Pais, e também da própria Europa, que a tem de pagar e suportar.

Ora Lisboa, para desempenhar esse papel vital de motor de desenvolvimento do Pais, precisa, acima de tudo, de três grandes investimentos estratégicos, de três grandes estruturas.

Antes de mais - e porque Lisboa, desde pelo menos do tempo dos Cartagineses, não pode ser concebida nem entendida senão como uma cidade marítima - um grande porto internacional, de mercadorias e também de passageiros, que é susceptível de criar cerca de 20. 000, empregos e que nada tem que ver com o "apeadeiro fluvial" que é actualmente o porto de Lisboa.

Depois um grande aeroporto internacional de futuro, que é susceptível de criar cerca de 30. 000, empregos e que tem de ter as melhores condições de operação e a máxima capacidade de expansão, e que por isso memo não pode ser, desde logo por razões políticas, situado na Ota, por quanto essa localização que faria dele o Aeroporto de Fátima ou de Leiria, constituiria porem um autêntico desastre para a viabilização de Lisboa como grande capital europeia.

Finalmente, um grande trem de ligação rápida á Europa e também ao resto do País, até para que o porto e o aeroporto de Lisboa, funcionando em articulação com essa estrutura de transporte pesado, rápido e seguro, possam ter a máxima viabilidade e possam desempenhar o papel de verdadeira locomotiva de desenvolvimento de Portugal.

Mas é evidente que estes grandes investimentos estruturais, sendo imprescindíveis, não são só por si só suficientes para garantir o tão necessário desenvolvimento da nossa Capital.

Esse desenvolvimento passa ainda por um autêntico Programa Estratégico para criar emprego, assente na lógica de fazer de Lisboa uma Cidade de Cultura, de Turismo de qualidade, de Comercio e de novas tecnologias e de Gente Jovem.

Uma Cidade de Cultura, com instalações (em particular uma nova, moderna e arquitectonicamente arrojada grande sala de espectáculos como a "Ópera de Lisboa"), instituições (Companhias de Teatro, de Dança e de Bailado, Orquestras, Escolas de Musica e de Artes Plásticas, Museus e Galarias de Arte), apoios (em especial aos jovens artistas) e uma oferta cultural do mais alto nível, que nada te que ver com a mera aposta nos bares e nos bailinhos dos Santo Populares.

Uma Cidade de Turismo de qualidade, assente na utilização das maiores e mais modernas unidades hoteleiras, mas também na aposta na inovação, como por exemplo o apetrechamento e transformação de alguns prédios dos bairros históricos em pequenos hotéis e restaurante típicos, o máximo aproveitamento das actividades náuticas do rio e do mar e a plena utilização, para desporto e lazer, dos espaços verdes de Lisboa.

Uma Cidade de Comercio e de novas tecnologias, articulando o apoio ao Comercio, e em particular ao pequeno comercio tradicional (por exemplo através de subsídios para a remodelação das instalações ou da dispensa ou redução das diversas taxas municipais), com a criação de atractivos para a instalação e funcionamento das empresas ligadas às tecnologias de ponta.

Uma Cidade de Gente Jovem, através da aplicação urgente, firme e entusiasmada de um autentico plano de campanha para resolver o problema da habitação.

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